Klarna abre hub em Lisboa e vai criar 500 novos empregos

Capital portuguesa vai acolher nono centro de desenvolvimento de produto da fintech de origem sueca. Lisboa passará a dar suporte à estratégia de expansão global da empresa.

Menos de seis de meses depois de iniciar operações em Portugal, a Klarna escolheu Lisboa para acolher o nono centro de desenvolvimento de produto da fintech sueca. O novo hub torna a capital portuguesa num novo eixo de apoio à expansão internacional e abre caminho a um novo objetivo da empresa: criar 500 novos empregos em Portugal, vagas a preencher por talentos nacionais e internacionais.

O anúncio foi feito esta quarta-feira de manhã por Alexandre Fernandes, líder da operação nacional da fintech, e pelo chief technology officer (CTO) da Klarna a nível global, Yaron Shaer, num evento que também contou com o presidente da câmara municipal de Lisboa, Carlos Moedas.

“O novo hub em Lisboa pretende reunir talentos locais e globais em várias profissões, incluindo engenharia, para desenvolver formas ainda melhores de servir os nossos clientes”, afirmou Shaer, explicando que Lisboa passa a fazer parte da “jornada para aumentar a presença internacional” da Klarna.

Yaron Shaer não revelou a dimensão do investimento que a Klarna fará em Lisboa, mas garantiu ser “um investimento considerável”.

O local do novo hub ainda não está fechado. A empresa tem hoje dois espaços, em Lisboa, contando com “cerca de vinte pessoas”. Agora, a fintech procura um espaço que permita operar um centro de desenvolvimento de produto, de acordo com o CTO da Klarna. Não obstante, o processo de criar um centro de desenvolvimento de produto na capital já está em marcha.

Na prática o novo hub resultará da conversão da operação nacional em mais um eixo da operação internacional, neste caso a partir de Lisboa. O centro de desenvolvimento de produto vai concentrar funções de desenvolvimento do negócio a nível local e a nível internacional.

A Klarna já tem vagas abertas para engenheiros, gestores de produtos e analistas (vagas aqui). No entanto, não há um horizonte temporal definido para concluir o recrutamento dos referidos 500 talentos. O CTO da Klarna sublinhou que o recrutamento será feito “durante muitos anos, para salvaguardar eventuais incertezas que surgem em processos como este”.

Mesmo assim há uma mensagem importante que Shaer passou: a Klarna quer criar raízes em Portugal. “Ao mesmo tempo que fomentamos a inovação, criamos empregos e apoiamos as economias locais. Estamos empenhados na expansão da nossa presença em Portugal e em desenvolve-la ainda mais num hub global de inovação e excelência técnica”, garantiu o CTO da Klarna, unindo o futuro da fintech ao sucesso da operação nacional.

Para Carlos Moedas, esta aposta da Klarna é mais uma demonstração de que “Lisboa pode tornar-se num grande centro de inovação da Europa”.

Segundo o autarca de Lisboa, a capital tem “todos os ingredientes” para ser “atrativa e inovadora”, tal como outras capitais europeias. Para isso será necessário prosseguir a estratégia de tornar Lisboa num hub empresarial, enfatizou.

E qual é o papel do autarca aqui? “O papel do presidente da câmara é apoiar e criar condições para que os investidores invistam [em Portugal]”, explicou, revelando que já estava a par da ambição da Klarna e que se disponibilizou, desde o início, para garantir mais um hub empresarial em Lisboa.



Moedas defendeu que o interesse da Klarna em Portugal pode ser uma mais-valia, até em termos laborais para os engenheiros portugueses. “Há muitos engenheiros portugueses que acabam por ir para fora do país porque, hoje, o mercado é global. A importância da entrada de empresas como a Klarna em Lisboa é a de dar oportunidade a muitos dos que, pela sua qualidade podem ir para fora, decidam ficar em Portugal”, afirmou.

“Precisamos de mais Klarnas, de mais pessoas que olhem para Lisboa e apostem cá”, realçou. “É preciso termos a coragem de ambicionar competir com outras capitais, como Paris, Berlim ou Londres”, disse.

O centro de desenvolvimento de produto de Lisboa é o nono da Klarna, que conta já com hubs em Estocolmo (Suécia), Berlim (Alemanha), Giessen (Alemanha), Milão (Itália), Madrid (Espanha), Mannheim (Alemanha), Toronto (Canadá) e Gotemburgo (Suécia). É a partir destes hubs que a Klarna define os serviços e soluções que entrega a 146 milhões de consumidores que usam as plataformas da fintech, bem como a mais de 400 mil retalhistas globais.

Criada em 2005, a Klarna disponibiliza soluções de pagamento a empresas retalhistas para que os consumidores possam ter mais opções no ato da compra. Esta fintech chegou a Portugal em novembro de 2021. Globalmente, a empresa sueca já trabalha com marcas como a H&M, Ikea ou Nike. Por cá, já fornece soluções de pagamento a empresas como a Prozis, Lanidor ou Samsung. As soluções disponibilizadas incluem pagamentos sem juros.

Atualmente, a Klarna conta com sete mil trabalhadores (1.800 só para funções de engenharia) em 45 mercados. A empresa está avaliada em 45,6 mil milhões de dólares (cerca de 43,3 mil milhões de euros).